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Artigo: Elocubrações eleitorais

por Vanderlei B. Nascimento


Vamos ser retos e diretos. A fotografia eleitoral de Araras é muito simples, porém controvertida: Se o Dr. Brambilla não conseguir se livrar do impasse jurídico que até da data de hoje o impede de disputar o páreo, a difuso quadro oposicionista que ora se apresenta encena dar a eleição de bandeja para o grupo que conduz o governo municipal, mesmo com o horror que assistimos em todos os setores da atividade pública.


É hora mesmo de aparecer os candidatos com pretensões alcaides. Creio que vão surgir mais. E fazem o seu papel. Sonham, em seus limites, ser ao menos o vice do Dr. Brambilla, até então - queiram ou não -, o nome mais viável a derrotar o governo, graças ainda ao seu recall de prefeito realizador e responsável com as finanças públicas.


É senso comum que caberia ao ex-prefeito ser o aglutinador das forças que não querem dar sequência ao estilo de administração que ora tragicamente vivenciamos. Assim, enquanto a situação jurídica do ex-prefeito não se define, ainda que se faz tarde, os que até então se colocam como oposicionistas, dão mostras juvenis de incapacidade à unificação, o que, óbvio e já dito, é ótimo para o governismo vigente.


Afora o dr. Brambilla, por ora se apresentam Júnior Sentinela, neófito da disputa e ainda sem inserção eleitoral; Bonezinho, conhecido, mas com sinais desgaste; e sua mãe, a vereadora Regina Corrochel, que têm marcado oposição ao governo, mas não é unanimidade. Outros: o suplente de vereador, Murilo Coghi, afoito, mas ainda no alicerce da legitimidade; o ex-prefeito Júnior Franco, em busca de se estabelecer em algum grupo.


Em outras esferas surgem nomes como Ivan Fábio Zurita, ex-presidente da Nestlé, que nunca disputou cargo público e anda sumido do cenário econômico. Outro empresário, Irineu Maretto, que dá mostras de veemência política, mas com sintomas de perda de ‘timer’. 


Já circularam também os nomes de Raul, presidente do Sindicato dos Servidores, a professora Marli Calixto; do ex-delegado Sydney Urbach; a presidenta do PT, Roberta Barbinato; e o professor Bibo, candidato petista na última eleição,  Mas nada consolidado até então.


No epicentro do poder local, assistimos uma administração desgastada pela incompetência de respostas às dores da população. Diz a lenda que se o ex-secretário de saúde, Agnaldo Piscopo, o preferido do prefeito, desistir da disputa, o nome de secretário de Planejamento, Felipe Beloto, seria jogado aos leões, mas este ainda não tem a embocadura necessária para disputa do cargo.


A câmara municipal, que na maior parte de opinião pública não tem correspondido à sua existência,   com raríssimas exceções, está formada parte por vereadores serviçais e uma outra parte que conduz o mandato a milhas de distância do interesse coletivo. A maioria busca futuro, assim como Rodrigo Soares e Miriam Vanessa, que acenam cumplicidade numa eventual disputa majoritária.


Nesse contexto, observamos ainda a inexistência de uma mídia comprometida com sua missão, que é algo bem maior do que apontar suas preferências e o gosto de seus editores. O que, evidente, compromete o bom senso da opinião popular, infeliz consumidora daquilo que diariamente paira no ar e nas redes sociais, acelerada por notícias de cunho tendencioso para lá ou para cá.


Assim, salvadores insurgem a cada postagem. Cada um valorizando seu polo, a despeito do imaginário das fake news e em detrimento ao discernimento. Atrevo-me a provocar que, além da polaridade ainda bem presente no nosso dia-a-dia, mais do que nunca se faz necessário defender a cidade. O que quer dizer defender a nossa vida. E como é possível melhora-la!


Com o orçamento municipal totalmente esgarçado por decisões e empréstimos equivocados,  o futuro eleito precisará bom trânsito junto aos governos estadual e, especialmente, o federal, para que as políticas e os recursos públicos, enfim, atinjam sua finalidade, o bem estar social. E nem precisamos ser preditores para se chegar a essa cristalina observação. Mas quem, quem, entre os postulantes teria esse perfil?


Nosso tempo requer um mandatário sensível às humanidades, comprometido com a sustentabilidade, com um modelo de economia crescente e distributivo, com perspectivas inovadoras ao seu povo. Que seja estímulo para a juventude obter formação profissional, vislumbrar empregos melhores e bem remunerados, inclusive.


Até lá, a caminhada vai nos propiciando instantes e surpresas. Importante perceber que quando temos um governo fraco e uma oposição fragmentada, o momento torna-se positivo para a chamada terceira via.  O que não se observa por aqui, ao menos em primeiro plano, mas seria bem interessante o aparecimento do tal ‘outsider’.


A pouco mais de sete meses da votação, que nos sirva de alerta: quando a equação eleitoral indica uma oposição fraca ou dividida, a máquina do governo, mesmo que desgraçado, tende a sair em leve vantagem no páreo. E, um governo ruim com oposição forte, naturaliza-se a alternância do poder. O que costuma ser bom!


Destarte, como já foi dito, a política é como olhar nuvens... E cada povo tem mesmo o governo que merece!



Vanderlei B. Nascimento: jornalista, assessor político, corretor e perito imobiliário, escrevinhador nas horas vagas.

1 Comment


Bem vindo esse seu app....precisamos mesmo olhar com atenção o futuro da nossa cidade querida. As coisas não vão bem.

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