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Artigo: O RIO QUE CORRE EM MIM

Atualizado: 22 de dez. de 2023

Por Tobias Ferraz


As curvas do Rio Mogi Guaçu guardam inúmeras surpresas, algumas agradáveis e outras nem tanto. A presença humana nas margens e no leito do rio é evidente. O uso empresarial do ambiente que cerca o rio traz pressões que comprometem a qualidade e a vida aquática.


Quando navegamos pelo Guaçu observamos tubos e mais tubos para captação de água, empresas de mineração com as imensas dragas sugando minerais que a Natureza levou milhares de anos para compor.


Crédito: Tobias Ferraz

Com o uso de drones, ficou mais fácil e barato sobrevoar as margens do rio. Do alto, podemos contemplar as suas margens e constatar a devastação de vários trechos da mata ciliar. Em muitos pontos o rio está “pelado”, o que aumenta os riscos de arrasto de terra para o leito, provocando assoreamento, contaminação pelo arrasto de agrotóxicos, erosão e perda da biodiversidade, ou seja, redução do número de espécies vegetais e animais (árvores e pequenas plantas, aves, mamíferos e etc.).


O Rio Mogi Guaçu nasce nos olhos d’água da Serra da Mantiqueira, no Sul de Minas Gerais, segue serpenteando por solo paulista por 473 quilômetros e deságua no Rio Pardo, no município de Morro Agudo, perto de Ribeirão Preto. Nesse trajeto, esse corpo de água altivo e solene, sofre uma série de maldades provocadas por boa parte da espécie humana. Poluição, lançamento de esgoto e lixo, pesca predatória, caça, desmatamento e a pior das maldades: o pouco caso da população e das autoridades.


Para quem convive com o Guaçu, é fácil de ver que o Rio está doente, sofrendo e pedindo ajuda. Mesmo com todas as leis ambientais, a degradação do Rio continua. Não existe um programa para recuperação das suas margens em toda a extensão. Não existe um programa de proteção efetiva dos direitos do Rio, dos direitos da Natureza.


Boa parte da água consumida pela população de Araras vem do Rio Mogi Guaçu. Dados do Saema apontam que 28% da água captada vem do Guaçu. Como o corpo humano é constituído por aproximadamente 70% de água, ele hidrata milhares de corpos dos habitantes do município.


Se existe um Rio que corre em mim, ele merece cuidado, respeito e reverência. Cuidar do Rio Mogi Guaçu é cuidar de todas as formas de vida.


Tobias Ferraz é jornalista, fundador da página @biografia_brasil no Instagram e diretor do documentário Mogi Guaçu, a agonia da Cobra Grande, disponível no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=2ecJerfGay8&t=9s

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